Aqui em casa a gente fala muito sobre a relação que Guigão vai ter com os avós. Mas nem é imaginando como será, pois isso a gente já sabe como vai ser: babação puuura! Já é assim na barriga, imagina quando ele estiver aqui em carne, osso e fofurice ao alcance das mãos...
Eu fico dizendo a eles que eles vão ter que se comportar e tals, mas na boa? Eu sei que não vão!!! E que eu vou ficar tentando colocar limites nas crianças (Guigão e avôs), mas não vou conseguir...
E o pior é que tem que ser assim, mesmo. Minha relacão e a de MA com os avós foi totalmente diferente. Enquanto ele só conviveu com uma avó, que eu inclusive cheguei a conhecer, mas só quando ela já estava meio caidinha, e ela veio a falecer em 2002, eu, no extremo oposto, tive avôs demais. Os de verdade e os agregados, como uma tia avó (tia Lourdinha) que também fazia as vezes de.
E só hoje eu me dou conta de como era bom, ótimo, fantástico ter avós por perto!!! Meu Deus, como eu fui feliz com eles todos, como aproveitei minha infância... sábado mesmo, eu tava comentando com meus pais como as minhas lembanças de criança passam pela casa de voinho, tanto que até hoje eu sonho muito com aquela casa, memso que as pessoas do sonho não tenham nada a ver com a época e a família, algumas cenas se passam por lá... e como era sagrado o galeto de domingo, que SÓ ELE podia preparar!!! O almoço podia até ter outras coisas, mas TINHA que ter o galeto dele. E quando ele fazia rim de boi, só para eu e ele? Bom demais!!!
Aliás, meus sábados tinham uma programação sagrada: voinho ia fazer a feira dele, e depois ia me pegar em casa, para passar o fim de semana na casa dele, para onde a gente ia a pé, mesmo. Era só passar uns quarteirões... E em algumas vezes eu nem queria ir, mas mainha diz que aquele era o momento mais esperado por ele da semana, então ela me obrigava a ir, e no fim das contas era sempre bom. Hoje eu sei como foi bom ela agir dessa forma, pois isso me aproximou muito dele, ele era realmente alucinado por mim, e hoje eu sei que também era por ele.
Me lembro perfeitamente de sentar na garagem de casa, ao lado dele, e ficar brincando de barbie, enquanto ele tomava seu whisky e beliscava alguma carne que voinha tivesse feito para almoço. Depois, a gente sentava na mesa, ele amassava 3 pimentas malaguetas, e colocava o feijão por cima. E quando acabava de almoçar, para desespero de voinha, limpava a boca na beirinha da toalha da mesa.... kkkkkk Já eu, freeesca desde sempre, comia primeiro o feijão (de que eu não gostava), depois trocava o prato e comia o macarrão (de que eu gostava, mas só comia o bom se antes comesse o saudável), e só tomava suco se comesse o prato todo. Tá pensando que era brincadeira??? Claro que isso era coisa de voinha, pq voinho não tava nem aí para isso...
O negócio dele era fazer coisas diferentes, como as indefectíveis estrelas de São João feitas com sacos de lixo azuis, obrigatórias ano após ano. E os passarinhos, então. Lá na casa deles havia um viveiro grande e várias gaiolas pequenas, com passarinhos, sabiás, periquitos, rolinhas e codornas, até. E tinha manga, pitanga, acerola e até um coqueiro. E num era sítio, não, era casa normal, só que tinha quintal e aí havia essas árvores todas.
E hoje eu me dou conta de como eu o amava, e de como ele é parte fundamental de minha história. Como o amo, e como ele sempre está perto de mim. A cada acontecimento de felicidade que tenho, sempre sonho antes com ele, e já sei que é um sinal, um prenúncio. E como às vezes sinto sua falta doída. Imagino a felicidade que ele teria sentido ao me ver de noiva na igreja, ao me ver grávida, e ao poder brincar com Zé Guilherme, então! Diz mainha que eu era a preferia, eu eu sei que era, mesmo. Mas é porque, do meu jeito, eu cativava as pessoas, principalmente os mais velhos. Eu era chatinha, ams sabia como agradar. E era metida a inteligente, então ele adorava contar as minhas "glórias", todo orgulhoso.
Infelizmente, ele não pôde acompanhar muitos acontecimentos de minha vida pessoalmente, pois em janeiro de 1997 ele se despediu de nós, num momento de muita paz e serenidade, após sofrer durante um mês no hospital com uma doença chata e traiçoeira.
Diz mainha que ele era bom cantor (infelizmente esse dom eu não herdei!!!), e até no seu adeus ele foi poético: despediu-se de nós com um olhar sereno e tranquilo, com as minha mãe, meu pai, minhas tias eu e uma prima (só uma das netas não quis estar no momento) ao redor dele, e dizendo para a minha avó que ela tinha sido o grande amor da vida dele... emocionante e lindo demais!!!
Foi embora cedo, mas deixou muita saudade de tudo o que vivemos, e uma certeza: a de que avós são uma coisa muuuito gostosa!!!
E é por isso que a cada dia que se passa, eu agradeço sinceramente a Deus pela chance de poder proporcionar ao meu filho uma das maiores bênçãos que alguém pode ter: a convivência com os avós.
Saber que teremos próximos esses alguéns que amarão nosso filho tanto quanto nós é algo que trás extrema satisfação a mim e Marco Aurélio. A mim, pois sei que ele terá a chance de desfrutar dos momentos bons que eu um dia tive, e a MA, pois ele verá seu filho ter aquilo que ele, infelizmente, não pôde ter em sua plenitude.
E acima disso, agradecemos ambos, em conjunto, por podermos proporcionar aos nossos pais, que tanto amamos, a possibilidade de viverem esse amor tão grande e infinito. Poder fazê-los saber como é ser avôs, brincarem sem se preocupar (tanto) em educar (essa parte chata fica pra nós, os pais), poderem voltar a ser crianças com ele, poderem brincar com ele como talvez não tenham brincado conosco, já que estavam preocupados em trabalhar, educar, comprar o leite, etc, etc...
Saber que estamos dando a nossos pais a felicidade maior que eles, tanto quanto nós, desejavam e desejam, é realmente algo que não tem preço!!!
(nossa, comecei o post despretensiosamente, mas depois que reli já chorei que só... afff!!! E sem querer terminou meio que "meu querido diário", e com tema central apenas um avô meu, mas como saiu do coração, vou deixar aqui assim mesmo. E depois volto pra contar coisas dos outros avós, que não merecem ter ficado tão pra escanteio... desculpem pelo momento íntimo e pessoal/retrô/familiar...)

Os meus pais...

... e os pais de Marco Aurélio